Editorial V

O abuso do poder

         Todo poder é concedido.

         Tudo que é dado pode ser retirado, no entanto, muitas são às vezes, que pessoas recebendo a função de proteger o cidadão, usam desse instrumento concedido e se voltam contra a sociedade, provocando os mais perversos desatinos, geralmente, movidos pela ignorância ou por distúrbios de personalidade.

         Bocaiúva sempre foi e é, uma cidade hospedeira, constituída de uma gente obreira, que constrói com dignidade a sua história.

         Nem todo mundo que chega a nossa cidade, entre tantos, compreende essa hospitalidade e interpretando-a como passividade inconseqüente quer fazer de nossa gente objeto de suas frustrações.

         Isso aconteceu algumas vezes, desde o tempo do famigerado Montalvão, vivido nos anos 30, e essa maldade acontece agora, como se houvesse espaço e hora, para o cabresto impune do abuso de autoridade.

         Nossa cidade é nosso lar. O que acontecer a qualquer Bocaiuvense está acontecendo a cada um de nós, pois não existe cercas ente os nossos sentimentos e o casamento da amizade e do respeito é nosso maior legado.

         Somos por natureza uma família só, daí o nosso sentimento de hospitalidade.

         A liberdade se conquista a cada instante e a vigilância permanente, é a única garantia, que seremos livres no próximo passar do tempo.

         O evento que passageiro, marca a existência inteira, pois a vida não aporta no instante, como se vivêssemos aos pedacinhos em instantes escolhidos: vivemos a vida por completo por escolha ou por omissão.

         Não existe como aceitar a imposição de uns sobre os outros, particularmente de origem do concedido, já que se concedeu por confiança ou merecimento.

         Quando se perde a confiança quando se trai o merecimento troca-se o poder pela imposição, a segurança pela repressão, e a liberdade pelos grilhões do insano.

         Não há como se confundir hospitalidade com tolerância impune.

         Existe o limite do tolerável, depois disso só a decadência da dignidade.

E perdido a dignidade, nada mais existe a perder. 

 

Roberto Ribeiro de Andrade

Diretor da 97 fm

Presidente da Associação Comunitária de Comunicação Sócio-cultural de Bocaiúva – ACONSOL

 

     

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