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Editorial XII 500 anos de Brasil
De que devemos nos orgulhar passado tanto tempo?!... Da invasão do português que chegou em nosso pais com o único propósito de extorquir nossas riquezas, destruir nossa cultura, impor a sua vontade? Agradecer á Corroa Portuguesa por mandar seus ladrões e assassinos, saídos das prisões para povoar nosso país? Festejar os genocídios, a tortura dos negros?... Agradecer a implantação do latifúndio, a introdução da divisão de classes, os costumeiros estupros das mulheres negras ou índias? Estamos alegremente festejando, o que?!... Ou nem sequer sabemos o que estamos festejando!... Temos a festejar. Mas o nosso banquete é do oprimido e não do opressor Temos a festejar a resistência de nossos antepassados, as nossas lutas, as nossas vitórias, a nossa persistência pela liberdade a lealdade dos companheiros que tombaram torturados tantas vezes, sem perder a dignidade. Temos que festejar o homem varonil de 500 anos que continua na luta e não se entrega á opressão dos poderosos, a imposição dos estrangeiros, ao comodismo programado, á farsa da mídia, e as formas enganosas do consumismo capitalista É hora de lembrar dos nossos homens e de nossas mulheres, heróis e heroínas que não se submetem ao bastião do invasor, com as freqüentes investidas, que se repetem a cada hora. É hora de lembrar de nossos iguais, aqueles que reagem diante da imposição e do desmando É hora de gritar, nas praças e pelas ruas , denunciar os embustes a falcatruas e nomear a nossa gente. Aquela que foi exemplo para nós, orgulho para nossa raça e herança de nossa dignidade. Sem vaidade é hora de falar, de Zumbi e Palmares, Conselheiro e Canudos, Manuel e os balaios, Zeferina, Tereza e os quilombos, Gêge Malhin e os Malês, Chico Rei e os escravos, Maria Quitéria e as heroínas brasileiras, Marçal de Souza e os guaranis, Geraldo Vandré e os estudantes, Santos Dias e os operários, Chico Mendes e os homens da floresta, Zé Rainha e os sem terra, e Lula. E tantos heróis anônimos que constroem em suas caminhadas o nosso espaço de liberdade Tantos anos de submissão não foi suficiente para anular o auto respeito de todos nós. Muitos continuam, incompreendidos muitas vezes, na caminhada pela reconquista do Brasil perdida há 500 anos.
Roberto Ribeiro de Andrade Diretor da 97 fm Presidente da Associação Comunitária de Comunicação Sócio-cultural de Bocaiúva - ACONSOL
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