Editorial X 

 

O COMODISMO VANTAJOSO

 

Quem de nós não tem se revoltado com as atrocidades que tem acontecido no mundo?

Quem de nós não se revolta ao saber que estão queimando a floresta Amazônica? Ao ter conhecimento que o capital estrangeiro industrializa a fome na Indonésia, que os pais venderam as filhas na ilha de Java, que a polícia brasileira assassina crianças todos os dias e o governo federal vendeu a mais rica e lucrativa mineradora do mundo a Vale do Rio Doce, para pagar uma dívida de origem suspeita negociada com papeis ainda mais suspeito.

Quem de nós não tem se entristecido porque os brasileiros morrem de fome todos os meses, que o aumento do desemprego em todo o território nacional tem transformado o operário em marginal, que as falcatruas das grandes empresas estão sendo encobertas pelo governo e que o descaso pela educação transformou as escolas brasileiras em umas das piores do mundo inteiro.

Quem de nós não tem sofrido, vendo as vítimas da seca no Nordeste, conseqüência da industria da miséria, que enriquece poucos ao preço da desgraça de milhares, não se angustia com o auto índice das doenças respiratórias em Bocaiúva porque uma poderosa e intocável industria desrespeitando as leis a quase 20 anos não quer atender as medidas de segurança indispensáveis.

Nós nos revoltando e depois esquecemos.

 Está cumprindo nosso papel de homens e mulheres compromissados com o mundo em que vivemos.

Mas que maldade é essa, que opera dentro de nós, que permissivamente nos acomoda diante de tanta selvajaria,

Diante do questionamento fabricamos respostas, ou simplesmente repetimos lugares comuns:   mas o índio e preguiçoso. a Vale era cabide de empregos. os pivetes só iam dar coisas ruins.  Indonésia e muito longe e Java nem sei onde fica.

Nosso termômetro de fraqueza é o nosso comodismo:  o retrato da nossa impotência, nosso caminho tortuoso,  nossa desistência de ser, nosso desrespeito a nós mesmos,  nosso descaso com a existência.

Estamos de frente ao comum acontecendo: a prática do comodismo vantajoso.

Nós nos acomodamos diante dos desafios para nos beneficiarmos das vantagens do sistema: somos pagos, e muito mal pagos,  para calar a boca, reprimir a sensibilidade, amortecer a dignidade e submeter a mediocridade.

Diante da omissão vantajosa passamos a fazer de conta que não vimos, e simulamos que estamos felizes com papel de espectadores da história,  marginais no processo, passivos na  construção do dia a dia, ausentes da vida, mortos vivos no meio do que apodrece

Cadáveres da existência

Existe,  no entanto,  como na força do serrado, que ressurge a cada seca ou a cada queimada,  uma dimensão  intocável dentro de nós, um ponto crítico em nossa consciência, preste a acordar,.

Sujeito a nova vontade, a nossa consciência trem um ponto crítico prestes a ser acionado, um mecanismo de defesa preste a ser detonado em situação de risco como a de hoje

 O momento está chegando.

 Cabe a nós esperar o tempo ou “fazer a hora”. pois o nosso  sentimento é o fórum da construção universal , principio, meio e fim, enfim a morada interminável do Criador.

 

 Roberto Ribeiro de Andrade

Diretor da 97 fm

Presidente da Associação Comunitária de Comunicação Sócio-cultural de Bocaiúva - ACONSOL

 

     

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