Editorial I

A História da 97 FM   

Foram mais de quinze anos de lutas.

         A 97.7, a Rádio Comunitária de Bocaiúva, entrou no ar de Bocaiúva às 18:00 h do dia 24 de Dezembro de 1996, com um transmissor construído pelo técnico em eletrônica Gustavo Silva Ribeiro de Andrade, montado como tarefa escolar na Escola de Eletrônica de Santa Rita do Sapucaí.

        Nos primeiros meses foi uma tarefa familiar; Amanda, Gustavo e Roberto  que se revezavam para manter a emissora 24 horas no ar

         Aos poucos outras pessoas com os mesmos objetivos foram chegando.

         Hoje somos mais de 20

         Mas a história da FM 97 não começou em 96.

         Ela nasceu com a Rádio Marmita, construída pelo pai do Gustavo, Roberto, a mais de 15 anos.

         A Rádio Marmita era um aparelho de pouquíssima potência instalada dentro de uma marmita aproveitando a brindarem de baixo custo. Seu alcance não ia além de dois quarteirões. Foi mais um instrumento de aprendizado que de comunicação social.

         Mais tarde, com um aparelho construído pela Coletiva de Rádios Livres foi criada a Rádio Cultura Popular que tinha programas em Português e Espanhol devido a proximidade da fronteira onde estava instalada, Ponta Porã, fronteira com o Paraguai.

         Depois surgiu a Tribunda, com o mesmo transmissor, mantida por três jovens; Gustavo, Japa e  Mário.

 A Rádio Tribunda era uma emissora muito ouvida pelos jovens, o que despertou ciúmes e perseguições. Teve uma vida tumultuado pivô de acerados debates entre o jornal diário da região (a favor) e a FM local (contra) provocado particularmente porque uma novela duplicada no Diário da Cidade (A República dos Inocentes), escrita por Roberto contava a história de um grupo de jovens envolvidos em movimento estudantil cujo meio de comunicação era uma Rádio Livre (Meketreke) que entrou no ar exatamente no dia e na hora que a Tribunda entrou, com um provocativo claro, já que a novela era escrita com a participação popular, que sugeria fatos a ser inserido no capítulo seguinte. Isso em 1988.

         A Rádio Tribunda sai do ar e volta a Rádio Cultura Popular, então  instalada no outro lado da fronteira (Pedro Juan Cabalero (Paraguai) como forma de se proteger das incursões dos órgãos de fiscalização.

         Com a mudança da família de Ponta Porã a FM 97.7 funcionou dois anos em Pouso Alegre com a coordenação de Gustavo.

         Em Bocaiúva o projeto foi ampliado e muita gente passou a se integrar no processo, mas só permaneceram os que conseguiram superar as dificuldades, as limitações e as constantes ameaças.

         Graças ao empenho de cada membro da equipe, a FM 97 hoje tem uma estrutura profissional, produto do empenho de  Gustavo, Amanda, Roberto, Ailton Paraguai, Rayssa, Patrícia Silveira, Juninho, Margô, Siardo Pereira, Fernando, Paulo Roberto,  Juninho da Triboo, Reinaldo Durães, Paula Adnise, Raniere Silveira, Junia, Geysa, Raquel,  Evandro e Dani.

         A FM 97.7, nasceu como rádio livre, alicerçada no direito que todos temos, de nos comunicar, direito esse conferido pelo artigo número cinco da Carta Magna do Brasil.

         Hoje a FM 97 se enquadra dentro das rádios comunitárias, uma alternativa imposta pelo Governo Federal.

         A Rádio Marmita, a Rádio Cultura Popular, a Rádio Tribunda e a 97  fm é a mesma emissora,  que muda o nome devido às contingências, mas  permanece   intransigente em sua caminhada  de contribuições na   Luta Popular.

 Roberto Ribeiro de Andrade

Diretor da 97 fm Presidente da Associação Comunitária de Comunicação Sócio-Cultural de Bocaiúva - ACONSOL

 

     

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